
Processos Paletizados
Fernando Henrique de Almeida Sobral
A utilização dos processos paletizados tem sido intensa na economia moderna. Iniciou-se como solução de movimentação de materiais na logÃstica militar, no perÃodo das grandes guerras mundiais. Na área comercial o processo inicial se deu nos portos, onde a movimentação de carga manual foi gradativamente sendo substituÃda pela movimentação mecânica.
O processo paletizado teve sua criação de forma sistêmica com a mecanização dos sistemas de movimentação mecanizada realizada por empilhadeiras. A3 movimentação mecânica cada vez mais foi superando a manual, permitindo agilidade nas operações de carga e descarga, reduzindo o tempo das embarcações paradas, gerando economia e evitando desperdÃcios dos equipamentos de transporte.
Após a utilização nos portos, esses processos passaram a ser utilizado na indústria em geral e na de bens de consumo em particular um importante equipamento de movimentação e armazenagem de cargas unitizada.
Os paletes das indústrias são e foram sempre fabricados com madeira de primeira qualidade. Um tipo de madeira muito utilizada para fabricação destes paletes foi à peroba. Hoje, a peroba existe em pequenas reservas e até pode-se dizer que ela está em via de extinção.
Esses paletes das indústrias, devido a sua qualidade são considerados cativos das empresas. Os investimentos na área foram e são elevados devido ao custo, pois foram fabricado para durar. Isso representa um significativo patrimônio da empresa, que ela mantém e cuida para não serem deteriorados. Tem empresa que chegou possuir 40 mil paletes no seu parque industrial representando um elevado valor imobilizado.
Hoje, quando se debate a questão da paletização, debate-se sobre o transporte de carga. Considerando a movimentação a primeira fase do sistema, a movimentação e armazenagem a segunda fase, temos na combinação da movimentação, armazenagem e transporte à terceira fase da paletização.
Na utilização do palete cativo o problema que tem surgido é a necessidade de despaletizar as cargas no momento de carregamento dos caminhões. Devido ao custo as indústrias não podem dispor para o transporte desses paletes pois demandariam retorno.
A alternativa que fica é desfazer as unidades de carga e carregar os caminhões manualmente de forma fracionada. Isso acarretava demora, prejuÃzo e fila de caminhões parados. Diante do problema as indústrias de bens de consumo tem debatido três alternativas:
A primeira alternativa é a utilização de um sistema de palete circulante, que funciona como as garrafas de cerveja retornáveis. Entrega-se uma garrafa cheia e recebe-se a vazia.
Isto causa uma série de transtorno, relativo ao padrão dos paletes. Os paletes como veremos mais adiante devem ser projetados de acordo com as caracterÃsticas da carga e dos equipamentos de movimentação, de transporte e de armazenagem. Cada empresa possuindo diferentes equipamentos e caracterÃsticas de carga enfrentam dificuldades para se submeterem a um único padrão de paletes.
Até dentro de uma mesma industria é comum encontrar vários modelos de paletes, em um grupo de empresas o problema se potencializa.
Outro problema é a higiene dos paletes, pois empresas que produz soda utilizam o mesmo palete que a industria que produz alimentos, provocando dessa forma contaminação dos produtos.
A segunda alternativa seria a locação dos paletes em empresas especializadas em logÃstica. No momento que a empresa usuária necessita realizar suas entregas contatam o banco de paletes. A locadora fornece os dispositivos por um preço de locação pré-determinado. Cabe a locadora identificar os diferentes depósitos onde seus paletes estão espalhados. No Brasil tal sistema é ainda incipiente, devido a pouca experiência nessa área;
A terceira alternativa, é a utilização de paletes descartáveis. A paletização descartável deve ser de baixo custo, boa qualidade e reciclável. A logÃstica é semelhante à s das embalagens descartáveis. A paletização descartável deve ser a tendência do mercado, imitando a tendência da embalagem que um dia predominou a retornável, é nesse campo que está o longo caminho de pesquisa.
Na combinação de diferentes materiais deve estar a maior possibilidade de custo/benefÃcio dos paletes.
REPENSANDO A PALETIZAÇÃO
CARACTERÃSTICA DA PALETIZAÇÃO RELATIVO AO TIPO DE CARGA
Para o desenvolvimento desta nova paletização é necessário refletir um pouco sobre ele. Um primeiro aspecto que poderia ser abordado é relativo a caracterização dos esforços que eles estão sujeitos.
a) existem cargas auto-estruturadas e/ou não fracionadas, onde a paletização não necessita de resistência a flexão na face superior. Exemplos desse tipo de carga são máquinas mono-blocadas, feixes de madeira ou qualquer outra barra, chapas de papelão ondulado, determinado tipos de cartão entre outras. Nestes casos o painel superior não necessita ser estrutural e funciona apenas como proteção ao produto.
Os blocos devem possuir uma resistência compatÃvel com o peso da carga, ou seja, A paletização para uma máquina auto-sustentada de 20 t não precisa possuir resistência a flexão na face superior, mas precisa de blocos que possuam uma resistência maior que 20 t a compressão.
Os blocos dos paletes atualmente existentes no mercado são dimensionados em função da área de pregagem e não em função do peso da carga a ser suportada. Isso acarreta um maior peso e volume de madeira na paletização, implicando num aumento do custo da paletização e do frete.
b) quando as cargas são fracionadas ou não possuem auto sustentação, elas precisam de paletes que tenham resistência a flexão na face superior. Neste caso, os paletes usados são fabricados totalmente em um único material, encarecendo bastante o produto e perdendo a caracterÃstica de descartável.
CARACTERÃSTICA DA PALETIZAÇÃO RELATIVO AO TIPO DE ARMAZENAGEM
Quanto a armazenagem a paletização deve atender aos seguintes aspectos:
a) quando a carga é armazenada em paletes e dispostas em porta-paletes surgem esforços de flexão na paletização relativos ao tipo de apoio. Geralmente o porta-palete caracteriza-se como sendo uma estrutura que possui um conjunto de duas vigas longitudinais aos corredores dos armazéns onde são descarregado os paletes. A flexão neste caso é transversal à paletização.
b) Quando a carga é armazenada em paletes e dispostas em "drive-in" surgem esforços de flexão na paletização relativos ao tipo de apoio. Geralmente o "drive-in" caracteriza-se por ser uma estrutura que possui um conjunto de duas vigas transversal aos corredores dos armazéns onde são depositadas as cargas paletizadas. A flexão neste caso é longitudinal aa paletização.
c) quando a carga é armazenada em paletes e dispostas em "Racks" surgem esforços de flexão em ambos os sentidos. Os "Racks" são montantes ou pilares que permitem o empilhamento das cargas sem comprimi-las pois suportam e apóiam nas arestas dos paletes e não nas cargas.
d) quando a carga é armazenada em paletes e as unidades de cargas estão dispostas uma sobre as outras em blocos. Neste caso a paletização não fica sujeito a esforços de flexão. Porém, é necessária uma maior área de contato do plano inferior da paletização com a parte superior da unidade de carga.
CARACTERÃSTICA DA PALETIZAÇÃO RELATIVO AO TIPO DE MOVIMENTAÇÃO
Quanto aos equipamentos de movimentação a paletização deve atender aos seguintes aspectos:
a) quando a paletização for movimentado por garfo de empilhadeira, gancho "C" ou paleteira ele estará sendo submetido a esforços de flexão. Tais esforços são menos rigorosos que quando a paletização está apoiado em "drive-in" ou porta-palete, pois o vão entre apoios é menor. Na utilização do garfo de empilhadeira a paletização poderá ter vigas na parte inferior da paletização. Quando se utiliza a paleteira tal viga não é desejada, pois dificulta o acesso das roldanas existentes no equipamento. Em alguns casos onde a utilização da viga inferior é indispensável costuma-se chanfrar essa viga.
b) na movimentação horizontal da paletização muitas vezes são utilizadas correntes transportadoras. É importante nesse caso que os paletes possuam vigas inferiores, porém em muitos casos podem ser dispensados.
CARACTERÃSTICA DA PALETIZAÇÃO RELATIVO AO TIPO DE TRANSPORTE
Quando o caminhão é carregado de forma paletizada existem as seguintes condições de contorno:
a) carregamento com existência de docas de embarque onde é possÃvel adentrar na carroceria do caminhão com a empilhadeira e paleteira, dessa forma a paletização deve possuir os pré-requisitos relativos a movimentação das cargas movimentáveis por paleteira, empilhadeira ou gancho "C".
b) quando no carregamento não existem docas e não é possÃvel adentrar na carroceria do caminhão com nenhum equipamento de movimentação ficam duas possibilidades de carregamento paletizado:
- a carroceria roletada, onde é desejável a viga inferior da paletização para facilitar o deslizamento da carga.
- outra é a carroceria "Sider" onde toda a lateral do veÃculo pode ser aberta. Nesse caso, o carregamento deve ser via empilhadeira dada a necessidade de içar a carga. As vigas inferiores da paletização aqui só atrapalhariam.
Dado o número de esforços em que o palete está submetido existe no mercado uma grande gama de modelos.
Entretanto, o desenho proposto limita a paletização a duas entradas de garfo de empilhadeira e/ou paleteira. No desenvolvimento de mercado do produto verificou-se:
- dificuldade de deslizamento da paletização carregado nos roletes das carroceriais e na produção.
- impossibilidade de amarração das cargas, através de cintas, nos dois sentidos das unidades de cargas.
- pouca versatilidade na movimentação das cargas pela limitação de acessos pelos garfos de empilhadeira.
A história tem demonstrado a viabilidade do sistema cabe aos usuários ficarem atentos realizando suas análises de custos logÃsticos para implantação sempre que possÃvel deste modelo de operação.
http://www.interlogis.com.br/artigos/processos_paletizados.htm